13 de dezembro de 2010

LESÃO DO LIGAMENTO CRUZADO POSTERIOR - JOELHO

 














O ligamento cruzado posterior(LCP), é um dos ligamentos centrais da articulação do joelho, localizado posteriormente ao ligamento cruzado anterior(LCA). Promove, em conjunto com o LCA, a estabilização da articulação no plano ântero-posterior,sendo também um importante estabilizador das forças rotacionais que atuam no joelho.
O LCP possui em média 4 cm de comprimento e aproximadamente 1,3cm de largura, sendo portanto mais espesso e mais resistente que o LCA. Tem sua origem no fêmur(côndilo medial), no lado oposto do LCA(côndilo lateral) e sua inserção na tíbia, posterior à inserção do LCA.



A lesão do LCP é menos comum, e normalmente está relacionada a trauma direto com um grau de energia elevado e não muito comum em entorses. O mecanismo mais usual de lesão é o trauma na perna com joelho em flexão, ocasionando posteriorização da tíbia, um exemplo deste tipo de trauma ocorre nos acidentes automobilísticos em que o passageiro bate a perna contra o painel do veículo no momento da colisão.




Com relação aos sintomas, após o trauma é comum ocorrer dor , derrame articular e dificuldade para flexão ou extensão do joelho. Passada a fase inicial podem ocorrer sintomas de instabilidade da articulação, como sensação de falseio ou sentir o joelho “desencaixar”, porém o sintoma mais comum é DOR na parte posterior do joelho ao realizar movimento ou mesmo ao andar.
O diagnóstico é realizado através de manobras para teste da estabilidade do joelho(ex: teste da gaveta posterior), radiografias com stress posterior da tíbia também são de grande valia, porém o exame “gold standart” é a Ressonância Nuclear Magnética, através do qual é possível mensurar se a lesão foi completa ou não, além de possibilitar a avaliação de outros ligamentos e estruturas que também podem ter sido afetadas no momento da lesão, o que pode ajudar no direcionamento do tratamento.

Abaixo imagens de exame de Ressonância Nuclear Magnética, mostrando o ligamento cruzado posterior íntegro (figura 1) e o ligamento com lesão (figura 2):









FIGURA 1









FIGURA 2



O tratamento de lesões parcias isoladas (aquelas em que somente o LCP foi afetado e parte das fibras ainda permanecem íntegras), normalmente têm bom prognóstico com tratamento conservador, que consiste em proteger o membro afetado com imobilizador na fase inicial e reabilitação fisioterápica com exercícios de cadeia cinética fechada em uma fase mais tardia, sendo que o tempo médio de tratamento gira em torno de 3 a 4 meses (período em que o paciente não deve realizar exercícios de impacto e/ou com mudanças de direção). O tratamento das lesões completas e/ou associadas(outras estruturas afetadas - normalmente as estruturas da porção póstero-lateral), que cursam com os sintomas clínicos descritos acima, são de tratamento cirúrgico.
A cirurgia, consiste na reconstrução do ligamento (e quando necessário das estruturas associadas), realizada através de vídeo-artroscopia sendo utilizado enxerto de tendões do próprio joelho afetado, ou até mesmo do outro joelho em casos mais complexos, para substituir o ligamento lesado. Atualmente utilizamos material bioabsorvível para fixação do enxerto, que normalmente demora um período médio de 06 meses para integração óssea, período no qual o paciente ficará com imobilizador (nas primeiras 04 semanas pós cirurgia) e iniciará um programa de reabilitação fisioterápica durante os meses seguintes. Devido à localização do ligamento a ser reconstruído, trata-se de um procedimento complexo, porém, atualmente, devido aos avanços na técnica operatória, apresenta bons resultados, permitindo até mesmo retorno à prática de esportes.

FISIOTERAPIA E RETORNO AS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA
Fase I         (1º semana): objetivo – controle da dor e edema
repouso relativo
exercícios isométricos para quadríceps
marcha com muletas e carga parcial

Fase II  (2º a 4º semana): objetivo – ganhar arco de movimento  (mínimo de 0º a 90º)
2º semana: exercícios isométricos, flexão ativa (em prono ou sentado) e mobilização da patela.
3º semana: inicia bicicleta estacionária sem carga
4º semana: acrescenta ½ kg de carga nos exercícios isométricos.

Fase III  (2º mês): objetivo – iniciar ganho muscular e controle motor
retirada das muletas
alongamento de isquiotibiais
treinamento de marcha
carga progressiva nos exercícios isométricos

Fase IV (3º e 4º meses): objetivo – incentivar ganho muscular e propriocepção
inicio das atividade em academia de ginástica
exercícios de cadeia cinética fechada – bicicleta, “leg press”, mesa flexora, “stepper”, cadeira imaginária e propriocepção.
exercícios isométricos

Fase V (após 4 meses): treinamento dos exercícios de impacto
Inicia corrida progressiva (esteira ou pista)
alongamentos gerais

Fase VI (após 6 meses): treinamento esportivo e programa de manutenção
(exercícios aeróbicos e localizados)
incentivado o treinamento esportivo sem competição.

Fase VII (após 9 meses): retorno ao esporte competitivo

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